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Avanços nas Biotecnologias Aplicadas a Bovinocultura
Por: Carla Fredrichsen

Com as exigências impostas pela globalização e o aumento da competitividade, tornou-se essencial que a pecuária de corte brasileira buscasse o aumento da eficiência reprodutiva e produtiva. Sendo assim, o ganho genético nos últimos 20 anos deveu-se, basicamente, ao aumento na pressão de seleção das raças. O impulso inicial para a seleção em bovinos foi dado pela inseminação artificial (IA) e pelos programas de teste de progênie e, posteriormente, pela transferência de embriões (TE). Incremento ainda maior pôde ser obtido com o desenvolvimento da técnica de produção in vitro (PIV) e sua incorporação ao setor produtivo. ver comentarios

A IA é a biotécnica da reprodução mais empregada para o melhoramento genético das espécies domésticas, em função da existência de poucos machos selecionados produzindo espermatozóides para a inseminação de centenas de fêmeas por ano. É uma das técnicas mais simples e de baixo custo empregadas na área de reprodução animal, possibilitando aos criadores com condições financeiras limitadas, a utilização de reprodutores de alto valor zootécnico, graças ao baixo custo e facilidades de transporte do sêmen. Contudo, apenas um produto pode ser obtido de cada fêmea por ano (AX, 2000).
A técnica de transferência de embriões bovinos no Brasil foi difundida a partir da década de 1980 e sua importância básica para a produção animal consiste na possibilidade de uma fêmea produzir um número de descendentes muito superior ao que seria possível obter fisiologicamente durante a sua vida reprodutiva. Para o melhoramento zootécnico, ela é um importante instrumento, pois acelera e confere maior precisão no processo de seleção animal (REICHENBACH et al., 2002). Além de equacionar problemas relativos à questão de ordem genética e sanitária.
A produção in vitro vem apresentando avanços consideráveis e está sendo incorporada aos projetos de produção. Com o desenvolvimento do método de punção folicular, tornou-se possível à recuperação de ovócitos de fêmeas vivas para fecundação in vitro (FIV), abrindo novos caminhos para a multiplicação de animais de interesse econômico e superando os atuais índices da transferência de embriões clássica no que diz respeito à produção de bezerro/vaca/ano. Uma vantagem da aspiração folicular guiada por ultra-sonografia na PIV está no fato de que não é necessário o uso de hormônios para a recuperação de ovócitos. Após a recuperação dos ovócitos por aspiração folicular, três passos biológicos que ocorrem in vivo devem ser simulados in vitro para a produção de embriões: maturação in vitro (MIV), fecundação in vitro (FIV) e cultivo in vitro (CIV). O desenvolvimento embrionário in vitro é avaliado no sexto dia de cultivo. Os índices de gestação aos 60 dias têm variado, em geral, entre 40 a 60% de acordo com o sistema de produção in vitro utilizado pelos diferentes laboratórios (GARCIA et al., 2003).
Adicionalmente, essa técnica tem embasado o desenvolvimento das biotécnicas de clonagem, transgênese, sexagem, etc. A técnica pode ser utilizada em animais jovens, senis, gestantes ou lactantes, além de animais com problemas de fertilidade adquiridos (TERVIT, 1996; GOODHAND et al., 1999; MALARD et al., 1999; TANEJA et al., 2000). Contudo a utilização da PIV ainda é limitada em virtude da inconsistência dos resultados referentes às taxas e qualidades das mórulas e blastocistos. Recentemente tem-se observado um significante aumento do tamanho do concepto detectado aos 10 dias após a transferência de blastocistos produzidos in vitro comparado com os produzidos in vivo (FARIN et al, 1999). As placentas resultantes de procedimentos in vitro têm apresentado defeitos de desenvolvimento. Problemas associados com a diminuição do contato materno-fetal relacionados a fatores histológicos e funcionais (menor número de placentônios), levando ao estresse fetal com efeitos negativos sobre as trocas gasosas e de nutrientes (FARIN et al., 2000; PRESTES, 2005).
De acordo com Prestes (2005) algumas anormalidades são descritas em prenhes provenientes de embriões de PIV como gestação prolongada, anormalidades congênitas e produtos absolutos grandes. Taxas de abortamento de 7 a 13% têm sido relatadas para receptoras de embriões produzidos in vitro no terço médio e final de gestação (HASLER, 2000), em alguns trabalhos as perdas chegam a 20% ou mais (THOMPSON et al., 1998). Li et al. (2005) descreveram que a homeostase eletrolítica está comprometida em menor ou maior grau sugerindo problemas na atividade renal fetal dos produtos de PIV. Quanto à maturidade epidérmica não foram detectadas diferenças significativas entre os fetos de PIV, TE e IA (MOYA et al., 2006).
Outras técnicas extremamente importantes que as propriedades devem adotar, visando à melhoria da eficiência reprodutiva são: determinar uma estação de monta mais curta possível e conciliar os interesses de todos os segmentos da cadeia produtiva, no tocante ao nascimento e desenvolvimento da cria, taxa de desmama, intervalos entre partos, crescimento pós-desmame, rendimento, bem como custo/benefício com bom retorno econômico favorável ao pecuarista.
A obtenção da máxima eficiência só é possível por meio de planejamento e execução de um bom programa de reprodução e melhoramento genético utilizando as biotécnicas com eficácia, além de treinamento e valorização do homem.

Referências Bibliográficas

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